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:: Sábado, Abril 23, 2005 ::
Catando a poesia num dos cantos do chão...
"... Comprei na bolsa de amores
As ações melhores
Que encontrei por lá
Ações de uma morena dessas
Que dão lucro à beça
Pra quem sabe
E pode jogar..."
Chico Buarque
:: 8:18 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Sexta-feira, Abril 22, 2005 ::
Mais uma da série
De quando o amor me entortou
Por André Gonçalves - Cabeza Marginal
Não gosto de céu cinza, não gosto de dia cinza, não gosto de pessoas cinza, não gosto de olhos cinza. Não gosto da palavra cinza nem de palavras cinza. Cinza é a cor de algo que não é e que dia nenhum vai deixar de ser. O cinza é um branco enegrecido. Cinza é um negro esbranquiçado. O cinza é azul cheio de nuvens. Cinza é bom-dia entredentes. O cinza é sexo sem fusão. Cinza é adeus sem apito de navio e sem beijo de volte-logo-que-te-espero. O cinza é doce de lenço com recheio de lágrima. Não gosto de cinza. Não gosto de sentir meu peito e meus olhos e minha língua ardendo com o gosto acre do cinza. Mas quando acontece dessa droga dessa cor estúpida aparecer no meio da noite e descolorir meus livros de estórias é bom, é bom não, é perfeito, é perfeito não, é... é... é... sei lá o que é, mas é muito, muito bom, e é bom por demais saber que é só esticar minha mão no meio do cinza que meus dedos vão encontrar um sorriso vestido de nada esparramado por sobre minha nuvem preferida. Porque um sorriso vestido de nada e usando meiões vermelhos de futebol tem todas as cores do mundo, tem todos os tons e sobretons e tonsurtons que podem estar em toda a escala cromática criada pelo Carinha um tanto quanto genioso e genial que desenvolveu o design dos arco-íris. E, nesses dias em que um merda de cinza pálido e com cheiro de maresia insiste em dominar o céu da minha boca, nada, nunca nem ninguém pode ser melhor do que esticar o braço e tocar com a ponta dos dedos um sorriso vestido de nada, um sorriso que sorri para mim com olhos de vamos-em-frente-que-o-dia-vai-começar-e-eu-nunca-mais-vou-deixar-você-transbordar-pelos-olhos-em-época-de-chuva.
:: 12:05 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Quarta-feira, Abril 20, 2005 ::
E às vezes, se tem tanta coisa pra falar. Fica-se pensado em tantas coisas, tantos planos, tantas perguntas, respostas, inquietações, indignações, revoltas, medos, vontades. Vontade disso, vontade daquilo. Muitas idéias, dúvidas, curiosidade, e muita, muita vontade mesmo de fazer muita coisa.
Só que ultimamente tua cabeça não pára. E, mesmo assim, tu não consegue "exteriorizar" esses pensamentos. Mas, primeiro, organiza tua cabeça. Para que os sentimentos e as emoções possam aparecer. Para cada palavra não terminar.
"Os rios devem fluir para serem úteis.
O ar deve fluir para refrescar.
A riqueza deve fluir para dar frutos.
A mente deve fluir para estar clara."
Hsing Yün
:: 4:27 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Terça-feira, Abril 19, 2005 ::
Às vezes, a gente acha que tudo tá errado e que tudo aquilo que tá passando pela nossa cabeça não vai passar. Tudo parece maior, tudo parece não ter fim. E aquele sentimento de angústia e ansiedade insiste em permanecer ali, matutando a tua cabeça. Fazendo tu perder noites de sono, semanas até. É como se em determinado momento alguém estivesse te segurando, não deixando tu seguir em frente ou que ainda não conseguiu se "dissipar". Mas aí, fica-se no fato de acreditar em certas coisas ou não. Achar certas coisas ou não. Querer acreditar em certos acontecimentos ou não. Enfim, crenças.
O pior é quando isso tudo acontece numa semana nublada, em que nem o sol aparece pra te energizar. Ou simplesmente neutralizar. Um mal-estar que parece não ter fim. É como aquela gota da torneira que te acorda no meio da madrugada. Ou aquele raio estrondoso que te assustava no meio da noite quando se era criança. Como aquela porta na ponta da escada que leva ao porão e que a gente saia correndo com medo do que iríamos encontrar lá dentro. É, medo. Medos. Caminhos que nossa mente nos oferece e que, muitas vezes, a gente acaba entrando. Não por vontade, não por querer, Desatenção talvez. Ou, simplesmente, por curiosidade inconsciente.
Mas aí, tu te volta. Volta pra casa. Pra dentro de casa. E encontra pessoas que sempre estiveram ali. Mesmo quando a gente não precisa. Aquele tipo de pessoa que te olha de longe e te encontra perdido. Que te fala com um toque. E daí, sem querer, tu te cerca de pessoas especiais. Que te procuram e te acham. E se preocupam. E sofrem contigo. E te iluminam e te abraçam. E te sentem. Com aquele sorriso no rosto e na alma. Quando se ri sem falar nada.
E lembrar que mesmo estando longe, tá perto. É saber que, no caminho, a gente encontra pessoas que nos acham.
E daí, a semana passa e o sol volta a brilhar.
"... é preciso ter um tempo longe daqui... tempo de ficar só... de andar na areia e sumir... o amor verdadeiro não reage assim... pode fazer melhor... esconde o medo e sorri... quem já nadou contra a corrente... sabe usar o vento a favor... só o momento é diferente... é a mesma ferramenta que usou..."
:: 12:42 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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